From Gertrud, sent November the 27th, Finland.

From Karolina, Poland, sent November the 30th, a multi-picture from the city of Sandomierz.

Estávamos com intenções de parar em Porto Covo, então fizemos uma volta de reconhecimento pela vila e arredores em busca de um sítio para acampar... mas sem sucesso. Quando já estávamos na estrada que partia da vila, o André manda o bitaite "porque é que não pedimos para ficar numa destas quintas?" Paramos. Pensamos. Bolas, porque não. No máximo mandam-nos dar uma volta, ou soltam os cães :P Enveredámos por um caminho que se assemelhava a uma entrada... e damos com um senhor a descarregar uma carrinha. Dirijo-me a ele enquanto os meus companheiros se acobardam à vista de um cão solto (mariquinhas!) e digo-lhe, do melhor jeito que o meu cabelo empastado, barba suja e olhar ligeiramente tresloucado permitiam: "Boa tarde! Olhe, nós (aponta para os maricas) estamos a viajar de bicicleta pelo Alentejo, viemos desde a Figueira da Foz (ah conhece, ah que bom) e estávamos à procura de um sítio para passar a noite. Será que não tem um cantinho para nós? Somos gente sossegada e saímos pela manhã!"
Deitámo-nos ao trabalho de montar as tendas, preparar o jantar... e depois fomos (tirando o Tiago, a ressacar da gripe na tenda) dar uma volta à vila de Porto Covo, que nos ia reservar mais umas surpresas.
...UM DIA, todo o lixo que polui as florestas por Portugal fora, desde clareiras cheias de frigoríficos velhos, rodas de camiões desfeitas, bidões de metal cheios de entulho das últimas obras que se fizeram ali perto, até parques de merendas onde têm que comer rodeados pelos detritos humanos que dez anos de picnics foram deixando acumular em redor das árvores...
DESAPARECESSE COMO POR MILAGRE?
Não era bom?
Era sim, dizem vocês. Mas todos sabemos que não há milagres.
Então e se… NÓS fizéssemos desaparecer esse lixo, NUM DIA? Não era igualmente bom? Até melhor?
Eu acho que sim. Alguns de vocês podem achar que sim. Outros podem dizer que é impossível.
E se eu vos dissesse que… já foi feito?
A 5 de Março de 2008, no culminar de um esforço voluntário de mais de 50 mil pessoas, as florestas da Estónia foram limpas num golpe limpo e perfeito.
O movimento irmão lusitano – Limpar Portugal – já tem uns milhares de aderentes, um site oficial de apresentação do projecto, e um de cariz mais prático: uma rede social para promover o contacto entre membros e facilitar a logística de todo o movimento. Já tem até, um dia marcado – o dia L – para a limpeza das florestas portuguesas.
Como funciona?
Existe uma hierarquia: no topo temos a Coordenação Nacional, formada pelos 3 membros fundadores, os Coordenadores Distritais e Técnicos. Têm a função de dinamizar o movimento a nível nacional: contactar com os meios de informação, convocar reuniões nacionais e criar protocolos com as empresas e instituições que aderem ao projecto.
O segundo nível é ocupado pelos Coordenadores Distritais que têm ao seu dispor os recursos do distrito que coordenam, têm que realizar as mesmas tarefas a um nível regional. Além disso, têm tarefas mais específicas como lidar com as autoridades regionais, e controlar a comunicação e interacção dos vários grupos de membros dentro do seu distrito.
Estes grupos são liderados por Coordenadores de Concelho ou Local, e têm um papel verdadeiramente crucial no dia L: coordenar os grupos para lixeiras específicas, definir rotas de transporte de lixo e locais de armazenamento, para além das mesmas responsabilidades acima referidas, a nível local.
Para funcionar, é necessário atingir uma massa crítica. Temos de tornar o movimento tão visível quanto possível aos olhos de todos, usando televisão, rádio, VIP's, etc. Como estes meios se encontram um bocado foram do meu alcance, proponho-vos: dêem uso às redes sociais. Messenger, Myspace, Hi5, Facebook, Twitter? Falem sobre o assunto, ponham um link algures e já ajuda :)
O que fazer para se juntar ao movimento?
Primeiro, informem-se.
O site oficial tem uma secção de Documentação, onde podem consultar a política do movimento sobre diversos assuntos como classificação de lixo, como reportar uma lixeira, que materiais são precisos para lidar com o lixo, etc.
O último documento a ser adicionionado foi o Manual de Actuação no dia L.
De seguida vão ao site da rede social e registem-se, e juntem-se ao grupo que geograficamente estiver mais perto. Cada grupo tem o seu fórum onde agendam reuniões, discutem sobre o que tem que ser feito, etc. Participem activamente.
Abraço!
Na manhã seguinte, enquanto arrumávamos os pertences e preparávamo-nos para pedalar por Lisboa. Tinham passado seis dias desde que saímos da Figueira, e não é demais voltar a dizer que este descanso, no que era supostamente território hostil para viajantes como nós, era mais do que necessário. Voltámos a sentir-nos revigorados e prontos para a próxima etapa, e o aproximar de um objectivo cobiçado: explorar a costa alentejana.
Fizémos o almoço em Tróia, debaixo de um banco, à beira da ciclovia que percorre a península de uma ponta até à outra. À saída passámos por um grupo de pedaleiros armados de alforges também. Meti conversa... era tudo malta mais velha; disseram que iam até Melides naquele dia, tinham partido de Lisboa de manhã também e queriam chegar a Lagos. Pelo caminho iam parando em pousadas e parques de campismo quando não houvesse alternativa. Parece que o cicloturismo não é assim tão incomum :)
Esta é uma foto com história. Não é, no entanto, a foto da primeira vez que assámos umas chouriças... A primeira vez que fizemos isso, para um jantar reforçado, curiosamente não foi capturada por nenhuma máquina, ou se calhar esses registos ainda não me chegaram às mãos. Fica aqui a história.